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| Cartaz de Miguel Carvalho |
quarta-feira, 8 de junho de 2016
terça-feira, 7 de junho de 2016
domingo, 5 de junho de 2016
Do Populismo
"Populismo" já não designa nada da ordem da constituição e legitimação de um corpo político ou dos métodos de governação, já que o seu sentido está inteiramente do lado dos meios de comunicação, do regime mediático; não tem nada a ver com o povo, mas apenas com espectadores."
António Guerreiro, Ípslon, Sexta-feira, 27 de Maio de 2016,
sábado, 4 de junho de 2016
Sobre o Monólogo...
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| "Podemos Controlar o que os Outros Pensam de Nós?" com o actor João Malaquias. |
Este texto
foi sendo escrito, reescrito, ao longo do tempo. A sua génese, bem como a sua
elaboração, está associada a uma circunstância especial, sobretudo a uma tirada
de um amigo que se interrogava sobre essa possibilidade de controle, esse exame
permanente que fazemos sobre aquilo que os outros podem pensar sobre nós. A indagação
activa e vigilância permanente das nossas acções e sobre o que fazemos, uma
atenção constante ao que os outros podem ou não pensar. É neste nosso
comportamento que encontramos motivo para inibições ou acções nem sempre consentâneas
com as nossas reais intenções.
A partir daqui o texto foi-se tornando esclarecedor no sentido de criar um momento de introspecção, uma celebração de um aniversário e a exaltação de um registo dialógico virtual que criasse um uma reflexão intima e consciente sobre a existência e a passagem do tempo.”
A partir daqui o texto foi-se tornando esclarecedor no sentido de criar um momento de introspecção, uma celebração de um aniversário e a exaltação de um registo dialógico virtual que criasse um uma reflexão intima e consciente sobre a existência e a passagem do tempo.”
Cafés: Ágoras Modernas.
“Os cafés são a versão moderna da ágora grega. Locais onde se misturam trabalho e lazer, onde nos entregamos a certas rotinas, a certa preguiça, a certa reflexão, e onde podemos ler, discutir e depois escrever. Isto nem sempre existe nas cidades de hoje, com o ritmo de hoje.”
Claudio Magris, Ípslon
quinta-feira, 2 de junho de 2016
A Missiva de Janeiro Alves em Junho
Amigo Doutor Mara,
Estava eu a estender as minhas meias
brancas no estendal, quando recebo inadvertidamente, e como se um taco de
basebol me acertasse no lombo, a sua última carta. Doutor Mara, Doutor Mara,
Doutor Mara… que deplorável espectáculo pirotécnico da escrita, com foguetes
atirados em todas as direcções, e alguns a rebentarem-lhe nas mãos. O doutor
mara navega à deriva no meio de um monótono oceano, e atirou um very light a pedir ajuda, só assim posso
compreender o seu desespero.
Mas dou-lhe uma sugestão: já que não
consegue parar de ingerir papel, experimente comer papel higiénico, quem sabe
não ajudará a higienizar o seu discurso. Outra possibilidade é ingerir dois ou
três livros de auto-ajuda, capa e tudo, acompanhados de uns goles de água para
amolecer as folhas e a sua retórica também.
Eu bem sei que estas cartas são
privadas (a não ser que as ande aí a publicar sem a minha autorização) e mal
não virá ao mundo com as suas imprecisões e perversas judiações, mas imagine um
dia que alguém as lê! É a destruição do meu património intelectual, é a minha
pessoa a arder em destroços num inferno de mil chamas, é enfim, o meu fim
Doutor Mara.
Ainda lhe pergunto, Doutor Mara, como
pode confiar na União dos Amigos de Eisenstein, quando o próprio foi alvo das
minhas severas críticas cinematográficas semanais quando escrevia para o
semanário que saía de semana a semana? Os estatutos dessa associação são
actualmente constituídos por um único artigo – “Artigo único: Esta associação tem como objectivo único e prioritário
prejudicar Janeiro Alves de todas as formas possíveis, promovendo o seu
enxovalhamento.” – em que a palavra enxovalhamento reúne em si os conceitos
de maculação, rebaixamento e emporcalhamento.
Por fim, uma interrogação: Belém?
Belém, Doutor Mara? Na última vez que estive fisicamente em Belém ainda nem
existiam os pastéis de belém! E metafisicamente já foi o ano passado. Fico
portanto estupefacto com estas suas invenções, que naturalmente só podem
decorrer do seu estado de debilidade, combinado com a sua precipitada tendência
para a fantasia. Há um mundo real à nossa volta, Doutor Mara. Se não consegue
acordar, meta o despertador.
Antes de ir aparar o bigode, acabo
esta carta com uma sugestão e uma confirmação. Sugiro-lhe que reveja a
medicação que anda a fazer. Começaria talvez por reduzir os comprimidos
amarelos, e aumentar a dose diária dos verdes. Por fim a confirmação: Marquei para
o final deste mês uma visita não oficial a Ponta Delgada para me inteirar do
seu estado de saúde, e para discutir consigo assuntos de extrema importância.
Levarei comigo um colaborador para tirar apontamentos, e outro para fazer a
reportagem, que culminará com a habitual foto do aperto de mão europeu.
Finalizo desejando-lhe as melhoras
da cabeça, e que da próxima vez não me importune com assuntos de menor
relevância.
Cordialmente,
Janeiro Alves
quarta-feira, 1 de junho de 2016
3ª Sessão na Galeria Miolo
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| Fotografia de Carlos de Olyveira |
Douta Inquietude
Levaste
contigo a locomotiva
douta
inquietação a rasgar
as virtudes
do vento e do azul
as linhas do
céu plangente
cartas por
escrever com destino certo
ruidosos
dias estilhaçados
João da Ponte, Ponta Delgada, 12 de Fevereiro de 2016.
terça-feira, 31 de maio de 2016
João da Ponte: Um Activista Cultural!
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| Clique na imagem para Ler |
“A produção cultural em Lisboa é muito mais
fácil de fazer, em certo sentido. Noutro sentido, tem muito muito menos
interesse porque há muita gente a fazer. Vive-se, eu penso, muito mais de
resultados do que aqui porque a competição é feroz, a concorrência é feroz.
Aqui…quando nós começamos havia muita pouca gente a fazer coisas. Neste
momento, há mais algumas, felizmente. Mas, continuamos a ser poucos e há
espaço. E eu sinto que a pequena coisa que fazemos…, apesar de ser uma pequena
coisa, com pouco impacto, porque não teve nenhum reflexo nos media, por
exemplo. Apesar disso, valeu a pena…”
in “Causas por Amor”, entrevista
a João da Ponte, produtor cultural,
Revista Ilhas, Abril/Maio de 2002.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Porquê, João?
O João da Ponte faleceu, diz-me o
outro João. Dos amigos não apetece desconfiar do que dizem. Eu não quero
acreditar, não consigo. A notícia é triste, demasiado triste. O João é das pessoas que não devia morrer. O João
com quem eu partilhava o fim da tarde no ¾, as noites de poesia na Tascà, com
quem eu debatia cinema, política, teatro, futebol e tantas outras coisas que fazem com que a vida valha a pena. Sim, o João
gostava de discutir sobre tudo o que estava relacionado com a vida. O João
adorava viver. O João não devia morrer. E morreu.
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