terça-feira, 14 de junho de 2016

O móbil do texto...

À conversa com Miguel Carvalho (Rascunhos)
Sala de Embarque” parte da ideia de instabilidade, um motivo de desconforto que se instalou num alargado corpo/célula, estendendo-se como um vírus generalizado de partida, alastrando a sua mobilidade um pouco por todo o lado. Ao fundo do túnel não surge qualquer solução, somente uma porta de saída imaginária, um feixe de janela por espreitar, um hipotético local de embarque. Um ensejo e desejo de viagem. Consumada a mudança de espaço físico e de abalada obrigatória para outro lugar num desespero feito imposição, eis a impossibilidade de permanecer e experienciar um modo de vida já conhecido. Resta afirmar a aventura e paixão pelo desconhecido, tornando a existência propícia para a aprendizagem e o sonho.

Sala de Embarque (O Texto)

À conversa com Miguel Carvalho (Rascunhos)

          Recorde-se que este texto teatral começou a ser escrito em Dezembro do ano passado, tendo sido interrompido recentemente para dar lugar ao monólogo “Podemos Controlar o que os Outros Pensam de Nós?”. Neste processo estão desde já envolvidos os intervenientes João Malaquias, Bruno Gaudêncio, Margarida Benevides e Liliana Janeiro. A composição sonora do espectáculo estará a cargo de Pedro Gaspar e os cenários e desenho de palco sob a orientação de Miguel Carvalho. Este trabalho é uma co-produção entre o Teatro Paupérrimo com a Galeria Arco 8.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

As Trevas da Tua Dor

E também te podem dizer
sê servil na pátria dos outros
pois a tua terra deixou-te nascer
somente para a fome ou para que vivas
no chiqueiro de um porco. Emigra e
volta da pátria dos outros
sem palavras, mas carregado de coisas
se, acaso tiveres sorte, isto é,
se fores suficientemente servil.
Podes depois voltar
com alma de alugel
abandonada que foi a tua terra
para te sujeitares ao trabalho que
te envergonharias de fazer. E quando
regressares – julgando que
regressar é verbo que se conjuga -, vais
julgar-te um herói, qualquer coisa,
só porque andas com máquina de vídeo
choldreando por todo o lado. Isto é
também a tua pátria, a tua vida. E
não há cão que
uive às trevas da tua dor.

João Miguel Fernandes Jorge, in Antologia Açoriana, edição da Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, 2011.

domingo, 5 de junho de 2016

Do Populismo

         "Populismo" já não designa nada da ordem da constituição e legitimação de um corpo político ou dos métodos de governação, já que o seu sentido está inteiramente do lado dos meios de comunicação, do regime mediático; não tem nada a ver com o povo, mas apenas com espectadores."

António Guerreiro, Ípslon, Sexta-feira, 27 de Maio de 2016,

sábado, 4 de junho de 2016

Sobre o Monólogo...

            
"Podemos Controlar o que os Outros Pensam de Nós?" com
o actor João Malaquias.
      “Podemos Controlar o que os Outros Pensam de Nós?” é um monólogo teatral que reflecte sobre essa capacidade de nos aceitarmos enquanto seres humanos, independentemente daquilo que pensamos ser ou de qualquer julgamento exterior. Ao mesmo tempo pretende exaltar o uso das palavras, a inocência do amor e da amizade, enaltecer a relevância da beleza e do seu papel no quotidiano, bem como exprimir a nossa necessidade de pacificação e de silêncio.
 Este texto foi sendo escrito, reescrito, ao longo do tempo. A sua génese, bem como a sua elaboração, está associada a uma circunstância especial, sobretudo a uma tirada de um amigo que se interrogava sobre essa possibilidade de controle, esse exame permanente que fazemos sobre aquilo que os outros podem pensar sobre nós. A indagação activa e vigilância permanente das nossas acções e sobre o que fazemos, uma atenção constante ao que os outros podem ou não pensar. É neste nosso comportamento que encontramos motivo para inibições ou acções nem sempre consentâneas com as nossas reais intenções.
          A partir daqui o texto foi-se tornando esclarecedor no sentido de criar um momento de introspecção, uma celebração de um aniversário e a exaltação de um registo dialógico virtual que criasse um uma reflexão intima e consciente sobre a existência e a passagem do tempo.”

Hoje à noite, no Teatro Micaelense



Cafés: Ágoras Modernas.

         
“Os cafés são a versão moderna da ágora grega. Locais onde se misturam trabalho e lazer, onde nos entregamos a certas rotinas, a certa preguiça, a certa reflexão, e onde podemos ler, discutir e depois escrever. Isto nem sempre existe nas cidades de hoje, com o ritmo de hoje.”

Claudio Magris, Ípslon