terça-feira, 30 de maio de 2017

Sala de Embarque: Ensaios no Cine Teatro Lagoense

     
Fotografia de Carlos Olyveira
     
  

      Ontem recomeçámos os ensaios no Cine Teatro Lagoense, propriedade da autarquia, situado na cidade da Lagoa. Esta terra micaelense ficou conhecida pelas suas fábricas de cerâmica e do álcool que remontam ao final do século XIX e, foi por essa altura que um homem culto, Francisco D´Amaral Almeida, republicano e verdadeiro apaixonado pelas artes, pensou em edificar este cine teatro, concretizando esse desiderato no início do século XX, e, por isso, agora para lá do centenário de existência. Sabe-se que este tinha interesse e predilecção pela pintura, escultura e fotografia, que gostava de ler e escrever, tendo sido, inclusive, presidente da câmara. Era também um homem preocupado com o progresso e desenvolvimento da sua terra. E, também por isso, aqui iremos nós com a pretensão de honrar o seu legado trabalhar em prol da comunidade e do seu teatro. Assim e, após alguns ensaios, julgamos estar prontos para mostrar esta peça aos lagoenses e restante público que assim deseje ver. 

segunda-feira, 29 de maio de 2017

domingo, 28 de maio de 2017

"A poesia está cá dentro e sai quando deve sair"

“-Que leitura faz da poesia que tem sido editada nos Açores, especialmente pelos autores da nova geração?
-Emanuel Jorge Botelho: Autores da nova geração, conheço poucos nos Açores. Refiro o jovem Leonardo Sousa, que tem uma poesia muito boa. Mesmo na prosa não conheço muito e, do que conheço, talvez fosse preciso trabalhar um pouco mais, na minha opinião pessoal.
-É indiferente escrever na margem da Lagoa das Sete Cidades ou dentro do Metropolitano de Lisboa?
E.J.B: Eu acho que sim, por estranho que possa parecer. Lembro-me de andar com um caderninho na algibeira, durante as viagens de metro em Lisboa, e de me saírem coisas que, se calhar nas Sete Cidades não me sairiam…A poesia está cá dentro e sai quando deve sair."

Excerto da entrevista de Emanuel Jorge Botelho à “Biblioteca Açoriana”, Antena 1 Açores.

Um verso de Márcia

Eu sei que é fácil de montar o aparato da menina que é culta

Pescadores

Os filhos dos pescadores
São pequeninos búzios
De silêncio
E de sonoro fervilhar das ondas

As ruas dos pescadores
São como o convés dos barcos
E como o soalho das casas 
Dos pescadores

As mulheres vestem-se com redes 
E usam as conchas no lugar dos brincos
E nos dias em que choram
As ondas são manhãs sobre o meio-dia

Daniel Faria, edição de Vera Vouga, Quasi Edições, 2009.

Sala de Embarque: Mês de Junho

Cartaz de Júlia Garcia
   

        Mais duas apresentações a ser preparadas, organizadas, e já disponíveis para as vossas agendas: Vila Franca do Campo e Lagoa, 9 e 10 de Junho, respectivamente. Duas terras micaelenses, dois palcos que pedem outra vez a vossa receptividade, o vosso ânimo, a vossa boa vontade. E nós, cheios de entusiasmo, cada vez mais atentos, prosseguimos viagem. Com cara de muitos e bons amigos (muito obrigado, Lígia e Miguel!) que nos foram dizendo o que estava bem e o que estava mal, aguçando cada vez mais este nosso gosto por aprender, prontos por alcançar mais conhecimento ou ficarmos na posse de sábias experiências, sempre com a ideia presente que só através de muitos ensaios, bastante estudo e prática conseguiremos levar mais longe este nosso desempenho teatral. E, para já, iremos contar com o envolvimento de pessoas que juntaram a nós, sobretudo em Vila Franca do Campo, pois trata-se dum projecto de finalistas da Escola. Em breve, contaremos quais são os nossos futuros planos de embarque…

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Amarcord

Amarcord (1973) filme de Federico Fellini.
         
      Lo so, lo so, lo so
che un uomo, a 50 anni,
ha sempre le mani pulite
e io me le lavo due o tre volte al giorno
ma è quando mi vedo le mani sporche
che io mi ricordo di quando
ero ragazzo.



Tonino Guerra, poeta e argumentista de Amarcord.
 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O Regresso

Como quem vindo de países distantes fora de
si, chega finalmente aonde sempre esteve
e encontra tudo no seu lugar,
o passado no passado, o presente no presente,
assim chega o viajante à tardia idade
em que se confundem ele e o caminho

Entra então pela primeira vez na sua casa

e deita-se pela primeira vez na sua cama,
Para trás ficaram portos, ilhas, lembranças,
cidades, estações do ano.
E come agora por fim um pão primeiro
sem o sabor de palavras estrangeiras na boca.


Manuel António Pina, in "Como se Desenha uma Casa", Assírio&Alvim, Lisboa, 2011.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Legível

apenas
por quem lê 
com a garganta 
presa 
por um cordel

Ana Paula Inácio, in ANÓNIMOS DO SÉCULO XXI, Averno, 2016.

מחשוב (hebraico)

Fotografia de André Almeida

Animal de Estimação

tive uma borboleta
bela
bala
brava
breve
como um dia

Ana Paula Inácio, ANÓNIMOS DO SÉCULO XXI, Averno, 2016.

Caelus (Deus Romano dos Céus)

Fotografia de André Almeida

Llorona

chorava
crente de que dos olhos
nasceriam flores

Ana Paula Inácio, ANÓNIMOS DO SÉCULO XXI, Averno, 2016.