Constrói a tua casa, mas de pedra,
e os alicerces que tenham
o fundamento que em ti achaste.
As madeiras sejam das mais duras
e secas como os antigos sabiam
que se secam as madeiras de obra.
Não deixes nada ao descuido
dos que não vão habitá-la,
nada à pressa desses
que sem amor constroem.
Cada janela, cada porta,
cada quarto e os corredores
no espaço certo: tudo
tão certo e próprio como depois
não te sentires nunca estranho
na casa que construíste.
E não é necessário que seja
uma casa grande. Seja
apenas a tua casa, medida
pelo tamanho de a habitares
como habitas o teu corpo:
uma casa que respire
e se alegre ou entristeça
como tu respiras, como
sabes rir, ou como
te entristeças. Uma casa
verdadeiramente a tua casa,
que construíste e sobreviva
a todas as tuas mortes.
segunda-feira, 30 de maio de 2022
"Casa" de Pedro da Silveira
sábado, 28 de maio de 2022
quinta-feira, 26 de maio de 2022
2022: O Ano do Tremor Suave!
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| Fotografia de Carlos Melo |
Assim, o encerramento desta nona edição deu-se, como vendo sendo hábito, no interior do centenário Coliseu Micaelense. No início da noite, o palco foi entregue à voz quente e melancólica de Rodrigo Amarante. O carioca apresentou-se sozinho em palco, com uma camisa acabada de passar a ferro, e com a sapiência de ser compreendido por uma audiência que, quando o encontrava nas praças ou nas ruas da cidade, pedia-lhe para tocar “aquela” ou tocar a “outra”. Um dos momentos altos do concerto do concerto deu-se com “Irene”, sobretudo quando este entoou os versos: “Milagre seria não ter/O amor, essa rima breve/Que o brilho da lua cheia/Acorda de um sono leve.” Duas horas antes, o paulistano Sessa já tinha dado o mote para um mundo a necessitar de (re) encantamento, arrebatando o público presente no Auditório Camões com a apresentação do seu primeiro disco a solo - “Grandeza”. Sessa é, sem dúvida, um músico que carrega consigo toda a herança musical brasileira, possuidor do cheirinho e devoção a Cartola ou João Donato. É muita linda a sua entrega em palco, numa fala tímida e suave marcadas pelo gosto da bossa e do dedilhar do violão.
Por último, não se pode deixar de falar da importância deste Festival para a comunidade. Nesta edição houve cozinhas comunitárias em Rabo de Peixe, sendo que os seus habitantes abriram as suas casas para a degustação gastronómica dos visitantes. Todos os anos há também a maravilha e o entusiasmo das atuações da Associação de Surdos de São Miguel + Onda Amarela (este ano com o Coral de São José) ou ainda a Orquestra de Jazz de Rabo de Peixe, que contou com a direção de Rodrigo Amado. Um festival que se quer da ilha e da ilha para o mundo.
segunda-feira, 23 de maio de 2022
FALTA#4: Agora nos Escaparates!
Do Poder
José Carlos Barros, in Ipsílon, sexta-feira, 20 de Maio de 2022
domingo, 22 de maio de 2022
"Eden", de Daniel Blaufuks
È, assim, no cenário do já extinto cinema Eden, em São Vicente, Cabo Verde, que pressentimos a existência e a memória do que este foi e representou para os cabo-verdianos, sobretudo a sua história e suas ocorrências. É interessante, sobretudo, pelos depoimentos de pessoas que vivenciaram de perto aquelas “memórias”, a evocação dos títulos traduzidos e pelos cartazes dos filmes apresentados que se vão desfiando episódios e narrativas em tornos daquelas concorridas sessões. E, como não podia deixar de ser, o filme tem mornas, coladeira e imagens de arquivo!
“Eden” é, portanto, um depósito de histórias de um cinema insular enquanto este foi fecundo e promissor…um verdadeiro cinema paraíso!
terça-feira, 17 de maio de 2022
sábado, 14 de maio de 2022
sábado, 7 de maio de 2022
FALTA#4: Que Força é Essa?
“Que força é essa?”, perguntava Sérgio Godinho na canção que abria o seu primeiro LP, "Os Sobreviventes". O álbum foi gravado em abril de 1971, numa vivenda nos arredores de Paris, curiosamente no mesmo estúdio onde, também nesse ano, foram gravados "Cantigas do Maio", de José Afonso, e "Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades", de José Mário Branco."
terça-feira, 3 de maio de 2022
FALTA#4: Sob o Signo da Força!
Esta FALTA#4 conta com os contributos literários e artísticos de autores de várias geografias e de áreas artísticas bem diferentes. Há, portanto, muito para ver e ler em 74 páginas numa edição de 250 exemplares.
"A Minha Primeira Bicicleta" de João Habitualmente
levou-me também às primeiras raparigas
era o sol - e a própria viagem astral
in Um dia tudo isto será meu (uma antologia), elogio da sombra, Porto Editora, Setembro de 2019.
segunda-feira, 2 de maio de 2022
domingo, 1 de maio de 2022
O Maio de Raul Brandão
"Era decerto condão das flores - mas também de Maio que chegou, com a sua magia e o seu sonho. Rebentaram novas fontes, e a terra dila-eis agitada e viva. Sob o chão que calcamos correm rios de tintas que transbordam e cobrem as árvores de roxo, púrpura, de verde."
in "A Pedra ainda espera dar Flor", Organização de Vasco Rosa, Quetzal edições, (Brasil-Portugal, Lisboa, 16 de Maio de 1901, pp.125.26. Tb.in Vimaranense, Guimarães, 5 de Maio de 1917, p.1).
Da Máscara
"Todos somos uma espécie de teatro, e quando escrevemos, ainda mais. A escrita para o outro é abraçar isso, conscientemente. A escrita para nós é fingir que isso não existe. Mas agora, em vez de acreditar na pureza, tento dizer algo de genuíno por outro caminho. Quando pomos uma máscara, o nosso corpo mexe-se de forma diferente. Somos impelidos a inventar ou imitar uma personagem. Nós estamos nessa invenção, que é uma faceta do que somos."
Rodrigo Amarante entrevistado por Lia Pereira, Revista Expresso, 14 de Abril de 2022.






