terça-feira, 14 de março de 2023
segunda-feira, 13 de março de 2023
Da Prosperidade...
“(…) Não me interpretem mal, sou fã da
prosperidade. Há imensas vantagens na riqueza que a pobreza não deve impedir.
Mas há umas poucas vantagens da pobreza que a riqueza não deve ocultar.
Humildade, sentido de comunidade e de partilha são por maiores que podem ficar
para trás quando andamos focados na caça ao guito. Esses eram os nossos maiores
tesouros. É para abrir mão deles em definitivo?
Talvez isto de ganância e do
consumismo seja um sinal dos tempos…Mas temos mesmo aceitar os tempos que nos
dão ou podemos criar os nossos? Não dá para continuar a ser quem somos e tornamo-nos
prósperos? É impossível sermos ricos sem nos tornarmos gananciosos e
consumistas?
Tem já alguns anos que procuro casa
para morar. Intensifiquei a busca este ano, depois de ter um bebé e achar
conveniente dar-lhe um teto permanente. Não que seja necessário, que nos países
do norte grande parte não terá casa própria. Mas ao preço a que por cá os
arrendamentos andam…
Está tudo tão caro. Na região só o
mormaço, a humidade, a falta de tacto, de criatividade e de arrojo continuam a
um preço simbólico. Valha-nos isso."
Francisco Bradford Câmara
in “9 Bairros”, Setembro/Dezembro de 2022
domingo, 12 de março de 2023
sábado, 11 de março de 2023
"entre signo e mar" de J.H.Borges Martins
teu sonho é muito profundo
como o silêncio eterno
como o silêncio eterno
é do signo peixes e estrelas
dever ser nómada
ou descendente de deuses.
in "nas barbas de deus", edições Salamandra, Outubro, 1999.
sexta-feira, 10 de março de 2023
quarta-feira, 8 de março de 2023
terça-feira, 7 de março de 2023
segunda-feira, 6 de março de 2023
Ai Weiwei por Ai Weiwei
-Porque razão gosta de viver com gatos?
-Há muitos animais à minha volta. Acho que os seres humanos são criaturas solitárias. Devemos tanto aos animais, e não os compreendemos. Tratamo-los como ferramenta ou um produto. Exploramo-los e olhamos para eles mais do que um alimento. Isso provém da nossa própria natureza desprezível e barbárica. Sinto que os animais são muito mais tolerantes e amigáveis do que os seres humanos.
in Público, 5 de Março de 2023, Tradução: Eurico Monchique.
domingo, 5 de março de 2023
sábado, 4 de março de 2023
"Natureza Morta" de Rui Machado
bonito jarro
o meu amor dormindo
à mesma sombra
visgos, zimbros, bardanas
um peixe
duas maçãs e um sofá
numa quietude entre duas
dimensões
Horta, 05.02.2022
Cineteatro Miramar: Há ir e Voltar!
A
única sessão de cinema que assisti no Cineteatro Miramar, espaço cultural da
vila de Rabo de Peixe, tinha por título “Ama San” de Cláudia Varejão.
Recordo-me dessa tarde sábado, sobretudo do ambiente desta vila micaelense com
as ruas cheias de crianças e homens à porta dos cafés e com as mulheres sentadas
na soleira das portas, lembrando de imediato outros espaços de
sociabilidade, frequentados no passado,
como, por exemplo, as Caxinas que conheci tão bem nos idos anos 80 e 90.
O filme de Cláudia Varejão, talvez por causa do título, não despertou muito interesse aos locais, mesmo o facto de ser gratuito apenas mobilizou o público que está habituado a estas lides cinematográficas. No entanto, cá fora dava para observar que a vida continuava e seguia o seu rumo com a agitação do costume. O impacto, no final do filme, foi muito forte que, mesmo sendo um filme do Japão contemporâneo, essencialmente focado numa ilha remota com um grupo de mulheres de diferentes faixas etárias que mergulham em apneia à procura de moluscos (abalones), vivendo as suas vidas aparentemente de forma simples e harmoniosa, em contacto quotidiano com a natureza e com relações de grande cumplicidade, aquela sessão, naquele lugar, jamais seria olvidada, de tão bela que tinha sido.
O filme de Cláudia Varejão, talvez por causa do título, não despertou muito interesse aos locais, mesmo o facto de ser gratuito apenas mobilizou o público que está habituado a estas lides cinematográficas. No entanto, cá fora dava para observar que a vida continuava e seguia o seu rumo com a agitação do costume. O impacto, no final do filme, foi muito forte que, mesmo sendo um filme do Japão contemporâneo, essencialmente focado numa ilha remota com um grupo de mulheres de diferentes faixas etárias que mergulham em apneia à procura de moluscos (abalones), vivendo as suas vidas aparentemente de forma simples e harmoniosa, em contacto quotidiano com a natureza e com relações de grande cumplicidade, aquela sessão, naquele lugar, jamais seria olvidada, de tão bela que tinha sido.
Entretanto, passados tantos anos, soubemos
esta semana do anúncio de uma empresa regional, com ligações institucionais ao governo dos Açores, ter como pretensão vender este
Cineteatro Miramar em hasta pública, o que gerou uma onda de contestação política, sendo que chegou a existir mesmo uma petição pública de
repúdio perante tal decisão. A realidade daquele Cineteatro agrega jovens e outros músicos que usam
semanalmente o espaço para aprender e tocar jazz, adolescentes e adultos que usam assim o
espaço da Ludoteca para partilhar jogos, músicas e e-mails, reconhecendo dessa
forma a importância deste espaço no atividade cultural daquela vila piscatória.
Por isso, questione-se: o que terá passado pela cabeça de alguém para anunciar
tal propósito?
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