Gonçalo M.Tavares in Revista Ler.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Da força
"As pessoas fortes são pessoas que raramente falam, que ouvem. Essa disponibilidade para receber é uma força."
Gonçalo M.Tavares in Revista Ler.
Gonçalo M.Tavares in Revista Ler.
sábado, 9 de janeiro de 2016
As Charlas na Galeria Arco 8
"O
texto incide essencialmente sobre uma entrevistadora, por sinal, bastante
curiosa, que numa pose bastante reverente, pomposa e, até enfatuada, quer saber
tudo a propósito deste cientista social que dá pelo nome de Doutor Mara. Um
personagem meia louca e lunática que adora viver em cidades marítimas e
campestres, dividindo assim a sua vida entre o isolamento – hábitos de
anacoreta e o seu gabinete citadino onde se dedica a estudos antropológicos de
longo alcance. Este texto que se quer, tanto dramático como cómico, tem como
ideia base contrariar aquela ideia muito presente de que os seres humanos têm
sempre muitas ideias e factos significativos para dizer ou contar, reforçados e
ampliados pelos meios de comunicação social e redes sociais, isto é, o “hipermediatismo” dominante. Servimo-nos por isso deste Doutor
Mara, habitual frequentador de tugúrios inimagináveis, que vão desde os jardins públicos, discotecas,
tascas e afins, e que, aproveitando-se do seu estatuto de figura pública sem mácula, para dialogar e dissertar com o público sobre este mundo em que vivemos, não muitas vezes muito mal frequentado. Os actores Tiago Vouga e a Aurora Ribeiro estrear-se-ão em Ponta Delgada com
os capítulos Ginecomagia, Tarantoterapia e Enomátria que terão palco na Galeria
Arco 8, no dia 15 de Janeiro, sexta-feira, pelas 23 horas."
(o autor do texto As Charlas Quotidianas do Doutor Mara)
Seis Poemas na Ilha de São Miguel
1-
Clínica da Alma
a Alberto Manguel
Os egípcios avivaram com cuidado,
no mistério revelado, agradecidos,
antes de qualquer roubo ou guerra
sem ruína de outra sobrevivência
dicionários, livros e compêndios
perenes depositantes de memórias
Desse lugar infinito agora observamos
o secreto abecedário das estantes
em geografia de línguas alcandoradas
e nas remediadas doenças do presente
as perguntas inquietas por fazer
2-Da
Caloura, as pedras
Trazem com elas o tom e o silêncio
delicadas brechas, destroços vários,
líquidas vozes desavindas
aspiramos ondas e demais histórias
Modelamos nuvens, entoamos metáforas
a fúngica bruma patenteada
nos lábios e nos dentes
e na tardinha tudo abafamos
nos lábios e nos dentes
e na tardinha tudo abafamos
com o marítimo som das evidências.
3-
Queijadas de Papoila e Chá Verde
Houve vagas silenciosas em crescendo
e momentâneos enganos
Talvez possamos inventar um paradoxo
folhas frescas em verdes águas
No céu o paladar bem destilado
e o boca a boca reencontrado
caem grainhas da incerteza
à lenta paz dos órgãos
a virtude dos passos dados.
a virtude dos passos dados.
4-Momentâneos
Empenhos
Professar ao vento a inspiração
declarar instantâneos empenhos
essa súbita vontade fulgurante
a impressão
do tempo que passa
nas linhas ditadas e coser
os múltiplos desafios do devir
decididos incitamos a potência
num traçado augúrio preferido.
5-Tácita
Recusa
Uma tácita recusa dos dias frios
como horas no tempo crepitam
dão o corte e o contraste
à erosão dos desvios consumados
rumor implícito nos gestos
uma vaga cobertura de promessas
na união sobejamente anunciada.
6-Vadia
Epopeia
Consumamos um velho vício
mortiço fado espelhado na madeira
A luz nocturna sobre a mesa,
condição, desolação, desarrumado
como uma seda fina a laborar
enfrentar essa suprema ilusão
confiança de ouro na tomada e
no brilho
exaltação dos ombros na partida.
no brilho
exaltação dos ombros na partida.
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Uma Carta de Janeiro Alves em Janeiro de 2016
Caro Doutor Mara,
Neste Natal, ao contrário dos restantes, resolvi enviar-lhe os votos de boas festividades desta terra longínqua onde me encontro, e um pedido de ajuda. Não imagina ainda o Doutor Mara o interesse circunstancial desta carta, verdadeiro manifesto da experiência que aqui tenho vivido. Se esta carta manifestasse algum interesse para o progresso da humanidade, o seu conteúdo seria comparado à ida do homem à lua, imaginário inverosímil mas agitador das mais assolapadas paixões.
Como sabe, nunca fui dado a Natais. Nunca me invadiu o espírito do bacalhau, e sinto um nervoso crepitante na espinha sempre que oiço “ho-ho-ho”. Como o Doutor Mara deve imaginar, não é que eu tenha nada contra o natal, é que nada tenho a favor.
Este ano no entanto, encontrei um paradoxo nesta forma de estar. Sendo eu um experimentalista, não podia deixar de viver uma vez que fosse a experiência do natal, de forma a estudar a sua repercussão emotiva no indivíduo. Assim rumei à Lapónia, onde me encontro neste momento. Aluguei um pequeno casebre no meio da Floresta de Rovaniemi e levei comigo mantimentos para alguns dias. Fiquei numa pequena e confortável casa nórdica de madeira, com lareira e sauna exterior. Nos primeiros dias não saí, pois nevava muito. Passei-os a ouvir os Christmas Crooners, a ler alguns livros de natal, e a embrulhar alguns presentes para oferecer a mim próprio. Passados três dias decidi sair. Parara de nevar e aventurei-me pela floresta. Saí de casa às onze da manhã, altura em que nasce o sol, para aproveitar as duas horas de luz até ao por do sol da uma da tarde. No meio da floresta de gelo e luz ténue sem pontos de referência, engendrei uma forma de não me perder, desenrolando desde casa um grande novelo de lã que tinha levado para o efeito.
Depois de meia hora de caminho surgiu repentinamente uma matilha de glutões, e comecei a correr para me afastar deles. Não são perigosos para o homem, mas em matilha não arrisquei. Fugi desesperadamente, perdi o novelo e muita neve começou a cair. Depois de muito me afastar, os glutões acabaram por desaparecer no horizonte, e ali me vi, perdido e sem qualquer orientação. Começou então a escurecer e a densificar-se o meu receio de ali acabar os meus dias. Caminhei perdido à procura da casa, e o cenário parecia-me cada vez mais inóspito. Tinha poucas horas de vida. Acabei por cair de cansaço.
Acordei numa casa desconhecida. Embrulhado em cobertores, abri os olhos e uma rapariga fixava-me estupefacta. Começou a falar comigo em Finlandês, em tom aflito. Eu disse “I don’t understand Suomi! Do you speak English?”. Ela não falava Inglês, e falava comigo com lágrimas nos olhos. De repente, foi buscar uma fotografia para me mostrar. Era eu, vestido com roupas estranhas. Mas o que fazia a minha fotografia na sua casa? Perante o meu espanto, foi buscar mais algumas, ainda mais estranhas. Eram fotografias onde estávamos os dois, eu e ela, em várias situações do quotidiano.Enquanto eu olhava incrédulo para as fotos, ela abanava-me, chorava, e falava em finlandês num tom desesperado. O auge do irrealismo foi quando observei que numa das fotografias nos beijávamos, eu e aquela heidi das montanhas. Imaginei que deveria estar com sérias lesões cerebrais, ou com delírios febris.
Toda esta história culmina com a explicação para o sucedido, não menos insólita. Ouve-se a chave a rodar na porta de madeira velha, e uma voz grossa em finlandês. A rapariga, ainda com lágrimas nos olhos sobressalta-se. Seria obviamente o marido que chegava a casa. Eis que entra um homem igual a mim, fotocópia, cara chapada, sem tirar nem pôr. A rapariga observa-o, volta-se para mim, e para ele, e para mim, e desmaia. Encontrei um sósia de Janeiro Alves, Dr. Mara. E veja só onde o fui encontrar.
Acabaram por me salvar a vida, pois a rapariga tinha-me encontrado quase a desfalecer na neve, e trazido para casa pensando ser o seu marido, e que o mesmo estaria com amnésia. Acabámos os três a jantar bifes de rena com vinho quente, a comunicar por gestos e a rir de toda esta situação. Deram-me guarida nessa noite, e no dia seguinte, quando me preparava para zarpar, toda a aldeia me veio ver. Transformei-me na atracção de natal da aldeia, Dr. Mara, numa espécie de freak show escandinavo. Saí em todos os jornais da região, e muitos turistas começaram a aparecer passados alguns dias, engodados pelo fenómeno. Segundo os jornalistas, que falavam inglês, os locais viam a minha aparição como algo sobrenatural, e era intenção do chefe da aldeia erguer uma estátua com duas figuras em bronze: a do sósia Lapão, e a minha ao lado com umas asas de anjo.
Neste momento ainda não consegui sair daqui. Peço-lhe ajuda para que interceda pela minha deportação para Portugal, pois tenho receio que me utilizem para experiências científicas. Imagine a ironia Dr. Mara, um experimentalista alvo de experiências científicas. Peço-lhe que fale para a embaixada de Portugal em Helsínquia com a maior brevidade possível. Se tudo correr bem, será compensado com os melhores filetes de peixe que eu próprio transportarei das águas frias para o seu paladar.
Na esperança que esta carta lhe chegue às mãos, desejo-lhe os mais sinceros votos de vigor físico e intelectual para enfrentar de cara erguida os desafios que se levantam imponentes e categóricos neste ano de 2016.
Janeiro Alves, em Rovaniemi - Lapónia
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
2015: Entre as Sombras e a Luz
Um ano passou e com ele os doze meses
findaram. Partem assim sem querer mais nada com a gente. Continuaremos daqui a
pouco, certamente, com a energia de sempre. Poderia ter gostado muito deste ano, mas há igualmente coisas para lembrar e outras
para esquecer, semelhante a todos os outros anos. É sempre assim: desviemo-nos do supérfluo, o essencial
permanecerá. Após destrinça, ficam as leituras de poemas de Alexandre O´Neill, Sophia, Ruy Belo, José Miguel
Silva, Karmelo C. Iribaren, Leonardo, Marta Chaves, João Habitualmente, Joaquim Castro Caldas,
Emanuel Félix, Rui Duarte Rodrigues, João Paulo Esteves da Silva, o recém
desaparecido Herberto Hélder, entre tantos outros, lidos nas noites de poesia da Tascà. Segundo, as coisas boas do ensaio literário que me vieram ter às
mãos: os livros de Alberto Manguel, deliciosos de ler, sorver, assim
mesmo quando o prazer inicial da leitura se renova, ou ainda a curiosidade por
ler e ouvir o filósofo esloveno, Slavoj Žižek. Pelo lado dos ouvidos, a música, cada vez mais sons em palco e em escuta: a dupla Medeiros/Lucas no Teatro Faialense, dois
príncipes da Atlântida que compuseram um “Navio” lindíssimo de ver ao vivo ou a
ouvir enquanto se olha o mar. A presença de Zeca Medeiros na
escola, os concertos na sede do Sporting da Horta e as respectivas recensões
semanais para o Múma - Música em Março, no Tribuna das Ilhas, Ilha do Faial.
Ainda o maravilhoso concerto de Mbye Ebrima na Academia das Artes, em Ponta Delgada , Ilha
de São Miguel. E também a audição da música de Dan Bejar,
vocalista dos Destroyer, Selah Sue, Rodrigo Amarante e o surpreendente Benjamin
Clementine. A publicação de dois poemas no Capítulos B, uma colectânea de
poesia organizada pelo Luís Andrade com poetas a residir nos Açores. Os poemas eleitos para constar da súmula foram: “Uma
Mulher em Férias é Bonita” e “A Melancia no Feno da Páscoa”. Este foi o ano em
que voltamos a apresentar três capítulos (Ginecomagia, Tarantoterapia e Enomátria) das “Charlas Quotidianas do
Doutor Mara”, postos nas tábuas do “palco” do Auditório ao Ar Livre da
Biblioteca Municipal da Horta com as interpretações de Tiago Vouga e Aurora
Ribeiro, replicando a representação por mais duas vezes para uma audiência de
150 pessoas. Foi também o tempo em que o cinema regressou ao ecrã do computador ou à televisão, por isso recorde-se "Nebraska", de Alexander Payne, "The Kid", de Charlie Chaplin, "Sinédoque - Nova Iorque", de Charlie Kaufman ou a curta-metragem "O Triângulo Dourado", de Miguel Clara Vasconcelos. Deve-se também guardar na memórias as viagens e as paisagens do Vale das Furnas, em São Miguel, o Vulcão dos Capelinhos e a Baía
de Porto Pim, na Ilha do Faial, e a Fajã Grande, na Ilha das Flores. Por último, o maravilhoso jardim António Borges, em Ponta Delgada, que
o funcionário Paulinho me deu a conhecer nas suas árvores mais do que
centenárias, frondosas e vistosas – jacarandás, plátanos araucárias, bambu preto da China, figueiras australianas, eucalipto-limão, entre tantas outras. Tudo o resto é do domínio do indizível. Um feliz 2016!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Prémio Melhor Biobibliografia do Ano
"Num livro
repleto de pormenores tão deliciosos quão arriscados, o jovem poeta Leonardo
(n. 1993, Ponta Delgada) resolveu incluir uma bio-biliografia [algum motor]
onde cabem amigos, leituras, influências culturais de ordem diversa. Tem tanto
de bibliográfico como de agradecimento, este momento mor que termina assim: «as
ruínas da casa primeira, o cavaleiro do apocalipse que regressa / ao império em
chamas, mãe / e demais amigos e entidades e gratidões e artes e perícias e
equívocos, / cegos, reordenados, parafraseados, orbitando, noite: / oxi oxi, eu
bem sei que erro // (2013-2015) // ab imo pectore, // leonardo». A edição de
âmbula [: pés, punhos, tórax: manicómio/manicórdio] (Outubro de 2015) coube à
Companhia das Ilhas. Só ficamos a saber quem é o autor quando chegamos ao fim.
Bom e estranho livro."
Henrique Bento Fialho
Daqui http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Pela Tardinha...
"Pela tardinha, reunimo-nos e passeamos pela cidade, procurando os caminhos em que a cidade não nos atropela nem oprime. Entramos amiúde num café, porque nos cafés livramo-nos e escondemo-nos um pouco do injusto e do precário. Destino que nos persegue em casa e na rua. Se nos tempos de Caim tivesse havido um café discreto e dissimulado como estes que a gente escolhe, ter-se-ia até podido esconder olhar daquele olho tão implacável."
Ramon Gomez de La Serna
sábado, 26 de dezembro de 2015
O Dia Mais Curto pelo 9500 Cineclube
![]() |
| "CÓDIGO POSTAL -A2053N" de Pepe Brix |
![]() |
| "Raimundo" de Paulo Abreu |
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
Aguda Melancolia
Quando visível em diagnóstico
a aguda melancolia
Foste tu, declarante, a decifrar
em sinal de comovente provocação
o riso frágil e o cigarro posicionado
eras o rosto, o indicativo prenúncio
enquanto porto de abrigo da denúncia
Esfinge em mágoa pronunciada
laço de elevada satisfação adquirida
talvez do domínio da química
o teu lenço e a dúvida a saber
porque partem as cigarras em silêncio
quando lamentas a ausência de calor?
sábado, 19 de dezembro de 2015
Um dia para comer e beber em PDL
O dia começa cedo em Ponta Delgada e, ao cimo da bonita rua D´Agoa, fica o
Café “3/4”, antigo Caziff, especialista em diferentes tipos de comidas ligeiras
e sopas, sendo os pequenos-almoços recheados de bolos lêvedos, compotas, e
outras iguarias que propiciam conversas saborosas e demoradas. Algum tempo mais
tarde, procurar-se-á no centro da cidade um circuito de restaurantes mais
sugestivo quando a fome ou a sede apertam. É uma cidade que só terá a ganhar se
for cultivado o requinte e a diversidade gastronómica, podendo-se mesmo afirmar
que granjeará bons clientes se houver de tudo e para diferentes gostos. Há,
portanto, uma mediana oferta, ainda que variada, com várias opções para
diferentes carteiras bem ou mal recheadas. O roteiro para o almoço pode ser
inicialmente confirmado com uma ida ao Restaurante “Mané Cigano”, lugar
tradicionalmente composto por pratos de peixe e com um ambiente bastante
intergeracional e popular, no seu lado mais justo do termo. Da sua oferta
gastronómica reina o prato de chicharros fritos, mas é essencial provar o polvo
guisado ou o bonito. A acompanhar, como sobremesa, deve-se comer uma queijada da Graciosa. Uma visita de seguida ao jardim António Borges, composto
por uma grande diversidade de árvores centenárias, poderá ser útil para alargar
os conhecimentos de botânica e abrir o apetite para o que virá a seguir. Se
acertar no dia e, quiser ver um jogo de futebol, especialmente do Sport Lisboa
e Benfica ou do seu clube contra este, aproveitar para conversar, beber,
petiscar e até mesmo cantar em uníssono hinos alusivos ao seu clube de eleição,
esse lugar dá pelo nome de “Travassos”, ali na rua Dr. Guilherme Poças. Um
espaço onde se sente e se vibra com as cores rubras do “Glorioso”, fazendo-se este
imediatamente notar pela variedade de petiscos expostos ao longo de uma mesa. Na
antevisão do jantar e, dado que o dia já foi longo e robusto, o melhor é mesmo
preencher o estômago com uma pizza “Caprese” no restaurante a “Forneria”, um
lugar que, para além da qualidade dos pratos de origem italiana num forno bem
micaelense, recebe os clientes de forma cuidada e atenciosa.
Rua do Colégio: Uma Rua Bonita
Ilustração de Hiomar para artigo publicado na edição do Fazendo 104, intitulado "Rua do Colégio: Uma Rua Bonita".
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Verónica Melo: Arte Salina!
O
Festival de Artesanato “Prenda” iria fechar portas daí a instantes e Celina da Piedade ensaiava com a sua banda os temas musicais para as horas seguintes. E enquanto as
pessoas passavam pelos expositores, os músicos afinavam ritmos e instrumentos
de cordas. As oficinas decorriam a bom ritmo e por ali havia uma cadeira vaga para
escutar o prenúncio das canções bem como distrair quem se encontrava
concentrado a efectuar desenhos e linogravuras, sem ter noção do que se estava
a passar. A oficina resultava em trabalhos finais e, Verónica, que ministrava a
oficina pacientemente, ia incentivando quem chegava a participar, denotando uma
facilidade em tornar as imagens úteis e funcionais para quem se encontrava em
dificuldades ou sem grandes soluções criativas. A oficina terminou e Verónica
não se ficou por ali, pois quis oferecer parte do trabalho a quem por lá estava,
resultando deste modo a curiosidade. Quem é esta artista?
Verónica Melo nasceu na Ilha de São Miguel, em 1990. A
criatividade pertence-lhe e sabia que depois de terminar o seu curso na
Faculdade de Belas Artes, na cidade do Porto, o mundo podia ser possível a meio
do atlântico. Arriscou.Verónica gosta muito do mar e por isso de imediato se pôs a fazer ilustração científica, pois sabe que uma das riquezas das Ilhas dos Açores passa pelo fauna e flora existente. Sendo hoje exequível trabalhar e criar a partir das ilhas
para todo o mundo e para isso basta ter as ferramentas e tecnologia ao seu
alcance. Ela vai tendo, por isso, convites para trabalhos no exterior e continuar a
desenvolver um trabalho constante para “Os Amigos dos Açores” e dar resposta ao que vai aparecendo pela ilha verde, caso do último Walk and Talk em que realizou uma "Oficina de Carimbos". Entretanto, a artista plástica esteve na Louvre Micaelense a dar mostras das
suas gravuras tal como foi fazendo carimbos para “embrulhos” que vão brotando da suas mãos e imaginação. Uma pergunta impõe-se: o que virá a seguir?
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