Amanhã, encontrar-te-ei no Miradouro Raul Brandão
quarta-feira, 29 de dezembro de 2021
terça-feira, 28 de dezembro de 2021
Das Palavras
"Aquilo que separa as pessoas é o facto de umas terem palavras e outras não as terem."
José Rentes de Carvalho
O Beijo
E o seu beijo era um vinho perfumado
Tão longamente bebi nesses lábios o vinho o amor
que ainda agora me sinto embriagado.
sábado, 25 de dezembro de 2021
"Contigo aprendi coisas tão simples como" de Ruy Belo
a forma de convívio com o meu cabelo ralo
e a diversa cor que há nos olhos das pessoas
só tu me acompanhaste súbitos momentos
quando tudo ruía em meu redor
contigo fui cruel no dia a dia
mais do que mulher tu és já a minha única viúva
Não posso dar-te mais do que te dou
este molhado olhar do homem que morre
e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente.
"Mutações" de Liv Ullmann
"Eu procurava algo na Ilha.
As pessoas viviam perto da terra, perto do mar, perto daquilo que é natural e predeterminado para nós.
O sinal que distinguia as pessoas que encontrei, quando os turistas partiam, no fim do Verão, era a sua simplicidade.
Nenhum daqueles homens e mulheres, segundo percebi, poderia jamais ser humilhado. Viviam em harmonia com os seus eus, com tudo o que era bom e mau em si mesmos. Nenhum estranho poderia apontar para eles e fazerem-se sentir-se inferiores.
Pessoas que confiaram no seu lugar na terra . Estavam longe de não ter complicações, não eram destituídos de exigências, ódios e agressões. Mas possuíam orgulho, e uma dignidade que não permitiam a ninguém destruir. Tinham razões que ficaram plantadas no mesmo lugar da terra, durante toda a sua vida.
Muito velhos têm isso. Renunciaram a pretensões, deixaram de lados sonhos falsos, pararam com a louca corrida.
Também são ilhéus na nossa sociedade.
Como as crianças.
Pessoas que não se preocupam em manter a máscara e a fachada em ordem. Que ousam mostrar quem são.
Ilhéus.
Pessoas que vivem de acordo com a sua maneira de pensar. Mesmo que esta não seja assim tão notável.
De alguns deles emana uma sensação de segurança, uma coisa simples, que talvez seja a dignidade do coração."
sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
Da Liberdade
"Por exemplo, eu para me libertar tenho de me acorrentar a um projecto. E perante isso - como sou livre - digo a mim próprio: "Bom, não sei se o farei bem, porque sou estúpido. Deveria ter pesquisado mais". Liberto-me do facto de não ser um campeão. Sou o que sou, não mais do que isso. Sou simplesmente o que sou. E, quando aceitamos nos nossos próprios limites, somos livres. É esta a minha teoria sobre liberdade."
Oliviero Toscani em entrevista a João Pacheco, Revista Expresso, dia 23 de Dezembro de 2021.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2021
"Nas Nuvens" por João Decq
"Três Andares" de Nanni Moretti no Teatro Micaelense
Tínhamos
muitas saudades de ver filmes de Nanni Moretti no grande écran: a sua ironia, o seu desplante crítico, a sua
forma prazerosa de fazer cinema e estar na vida. “Três Andares” não
tem nada disso, não há ironia, nem identificação fácil com um único personagem.
É um filme duro, tal como o tempo que nos encontramos a viver. Os seres humanos, ali evidenciados, colocam-nos questões, as vidas dos condóminos não são a preto
e branco e, talvez por isso, saímos dali sem nenhuma certezas sobre o bem e o mal. Baseado
num romance do israelita Eshkol Nevo, o filme “Três Andares” é um outro Moretti
que emerge, muito mais próximo de Thanatos do que de Eros, ainda que haja redenção
no fim de tudo isso.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2021
O Fim de Dezembro...
"It's four in the morning, the
end of December
I'm writing you now just to see
if you're better
New York is cold, but I like
where I'm living
There's music on Clinton Street
all through the evening"
Leonard Cohen in Famous Blue Raincoat.
domingo, 19 de dezembro de 2021
"Fim de Semana" de Alexandre O´Neill
Estirado na areia, a olhar o azul,
Ainda me treme o
parvalhão do corpo,
Do que houve que fazer
para ganhar o nosso,
Do que houve que esburgar
para limpar o osso,
Do que houve que descer
para alcançar o céu,
Já não digo esse de Vossa
Reverência,
Mas este onde estou, de
azul e areia,
Para onde, aos milhares,
nos abalançamos,
Como quem, às pressas, o
corpo semeia.