segunda-feira, 14 de março de 2022

"Esmeraldas" de Jorge Sousa Braga

 De que secreta primavera 
serão as esmeraldas 
a memória?

in "O Poeta Nu" , edições Assírio & Alvim, Junho de 2007.

domingo, 13 de março de 2022

PDL 2027: Na Lista Final...

    «"Federando todo o arquipélago açoriano, do Corvo a Santa Maria, a proposta de Ponta Delgada tem como missão "fazer da cultura um catalizador de transformação e desenvolvimento, através de um investimento duradouro nos sectores turísticos, urbanos e sociais". Aumentar a visibilidade internacional dos Açores e o seu potencial como destino de turismo cultural são outras metas da candidatura."»

in Publico, 12 de Março de 2022.

Ontem, escrito numa parede da cidade

Esta humana idade que tarda

Verso dos Linda Martini

 Eu nem vi que eu sem ti sou só eu sem ti

sexta-feira, 11 de março de 2022

...

deixa o tempo fazer o resto
fechar as janelas 
aplacar os barcos
recolher os víveres
semear a sorte 
acender o fogo
esperar a ceia

abre as portas: lê a luz
a sombra, a arte do passarinheiro

com três paus
fazes uma canoa
com quatro tens um verso 
deixar o tempo fazer o resto 

Ana Paula Inácio, in Vago Pressentimento de Azul, Quasi Edições, Setembro de 2000.

quarta-feira, 9 de março de 2022

Do Amor

          "O verbo amar é difícil de conjugar: o seu passado não é simples, o seu presente é apenas indicativo e o seu futuro continua condicional."                          
                                                                                                                         Jean Cocteau

terça-feira, 8 de março de 2022

Sonia Delaunay: O Sol do Século!


           Sonia Delaunay, com o nome de baptismo Sarah Stern, era natural de Gradizhsk, na Ucrânia.
Foi pintora, figurinista, designer e tinha trinta anos quando chegou a Vila do Conde, para viver entre 1915 e 1917, e, assim, escapar à primeira grande guerra. Esta habitou na cidade costeira portuguesa com o seu marido, Robert Delaunay, e o seu filho, Charles Delaunay, este último viria a tornar-se uma figura de proa do jazz francês e do seu Hot Club de France.
 Sonia Delaunay gostava do sol e das festas populares, adorava a luz do norte de Portugal. Amante da polivalência, da joalharia ao têxtil, celebrava através da arte o ritmo e as combinações cromáticas, cunhando essa energia e movimento de La Simultanée. Acredita-se que o casal de artistas, enquanto a Europa guerreava, enfrentou essa fase vilacondense de forma bastante produtiva, onde aproveitaram para criar em várias frentes em que estavam envolvidos, chegando a ser presos pelo equívoco simbólico das suas pinturas expostas no exterior da casa. A acusação postulava que estes comunicariam com os submarinos que passavam ao largo, no horizonte marítimo. 
Um século depois, a sua casa de Vila do Conde continua por lá, intacta. ainda que, triste e amarguradamente, ouvem-se de novo os tambores da guerra na terra materna de tão ilustre artista.

Da Vibração de uma Cidade...

     "Comecei por dar pelo desaparecimento no meu bairro, depois na Baixa, nas lojas que antigamente chamávamos "de revistas" e também nas livrarias que sobrevivem. Mas fora de Lisboa é igual ou pior. Em dezena e meia de cidades e vilas portuguesas tenho deambulado sem encontrar imprensa à venda, os quiosques exibem agora postais e canecas, as estações de comboios diminuíram radicalmente os títulos disponíveis, algumas bancas cortaram com a imprensa estrangeira, os fiéis morreram. explicam-me, e os jovens não têm esse hábito. 
    Há anos que uso a mesma frase quando me abasteço de jornais e revistas, sobretudo ao fim-de-semana ou em férias: "Se a imprensa acabar, a culpa não foi minha". Bem sei que dizer "imprensa" é limitativo, que há imprensa não-escrita, jornais digitais. Bem sei. Mas eu pertenço à última geração para quem comprar jornais em papel, e ler jornais, ficar a ler os jornais durante um bom tempo, é uma evidência e uma necessidade. Ler jornais, para mim, é uma actividade urbana, indestrinçável dos cafés e esplanadas, dos encontros e das conversas, do bulício, da vibração de uma cidade."

Pedro Mexia in Quiosques, Revista Expressso, 4 de Março de 2022.

Os FIlhos da Madrugada: Constança Freire e Sousa

        "Votar pela primeira vez foi maravilhoso! A sensação era a de que agora era crescida e tinha uma responsabilidade. Como qualquer forma de liberdade, seja de expressão ou outra, vem um sentido de responsabilidade. Faço a minha minicampanha nas minhas minirredes sociais, que têm um impacto ridículo (são os meus amigos e são pessoas que estão espalhadas pelo mundo). Empenho-me. Apelando ao voto. Não é um direito, votar é um dever. Custou tanto a ganhar. Foi tão difícil chegarmos ao ponto ao qual chegámos, desde a ditadura e o 25 de Abril...Até o facto de eu ser mulher, não ser a cabeça do casal, ou a cabeça de uma família..."

in OS Filhos da Madrugada, Anabela Mota Ribeiro, Temas e Debates e Círculo de Leitores, Novembro de 2021. 

segunda-feira, 7 de março de 2022

"Nirvana" de Antero de Quental

Viver assim: sem ciúmes, sem saudades,
Sem amor, sem anseios, sem carinhos,
Livre de angústias e felicidades,
Deixando pelo chão rosas e espinhos;
 
Poder viver em todas as idades;
Poder andar por todos os caminhos;
Indiferente ao bem e às falsidades,
Confundindo chacais e passarinhos;
 
Passear pela terra, e achar tristonho
Tudo que em torno se vê, nela espalhado;
A vida olhar como através de um sonho;
 
Chegar onde eu cheguei, subir à altura
Onde agora me encontro - é ter chegado
Aos extremos da Paz e da Ventura
!