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terça-feira, 28 de março de 2023
Ribeiragrandense: Noite do Sketch!
A abrir a contenda, o texto de “As Virgens”, da autoria de Ruy Neto, com as interpretações de Filomena Gonçalves, Júlia Dâmaso e Laura Pereira, numa narrativa referente aos longínquos quinhentos, passada numa balsa (ou seria jangada?) em pleno mar alto após naufrágio com três mulheres à beira de um ataque de nervos dada a proximidade da terra, afastadas que foram da vigilância superior, enfrentando agora o maior dos perigos que é a assunção de liberdade e do seu desejo. É uma representação rápida, mas eficaz, com algumas visões e sobressaltos, em que o compasso da ação é marcado pela vontade de remar e acercar-se de solo firme.
Neste regresso do teatro ao Ribeirgrandense, foi ainda possível assistir a “Zero a Zero”, texto de Henrique Ferreira, um combate de carácter inverosímil, quase surreal, entre “Júlio, um lavrador dos Arrifes e Maria, uma vegetariana extremista”, aqui representados por António Gomes e Catarina Gaspar, mas com um Juiz/árbitro (Francisco Lopes) que soube captar a atenção e prender o público na divulgação dos acontecimentos e altercações que se iam dando ao longo daquela competição insólita e feroz! Pelo meio, houve também tempo para pequenos dramas e comédias do quotidiano envolvendo consumos aditivos, a solidão do actor, a xico-espertice quotidiana e os Cavaleiros da Távola dos Queijos.
O JSM no Dia Mundial do Teatro
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| Jorge Silva Melo (1948-2022) |
"Depois da bárbarie, tentou-se, em alguns pontos mais ricos da Europa, que o Teatro (que fora conivente mais do que resistente) fosse o lugar convergente de uma eventual cidadania (moderada, que o Poder exercia a sua Autoridade nos assuntos importantes, claro, dinheiros e trabalhos e tal). Em diferentes momentos, mas animados por uma esperança nova, o Berliner, o Piccolo, o Théatre Nactional Populaire ou a Royal Shakespeare Company, tocadas todas estas Companhias e de diferentes modos, pela clareza provocatória do trabalho de Brecht, tentaram que as suas salas fossem escola e laboratório, jornal e assembleia. Nas suas paredes ecoaram vozes do seu tempo revisto sempre à luz contraditória dos clássicos e dos modernos. Os poderes, inquietos com a repentina ascensão de outras classes, permitiram essas ágoras que se pretendiam contemporâneas, pacifistas, internacionalistas, patrióticas também. Os teatros queriam oferecer a um público de boa vontade matéria para reflexão. Montar A Paz de Aristófanes durante a Guerra da Argélia, como o fez Jean Vilar, ou trabalhar o Coroliano de Shakespeare, como tentou o Berliner, na zona de ocupação russa e no auge do culto de Stalin, serão exemplos desse gesto primitivo. Como os jornais, os teatros ofereciam a um público vasto mas atento "espectáculos de opinião" sobre temas de uma actualidade dilacerada.
"Teatro para os Novos Reis, religião dos Novos Papas", in "A Mesa Está Posta", Livros Cotovia,2019.
domingo, 26 de março de 2023
"A Hora que Ainda Não É" de Mário Henrique Leiria
Cresce agora a árvore sem folhas secas, a árvores feita de nós, da hora e de tudo que é vivo."
"No Feminino" no CMC: Até dia 30!
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| "Lugar Improvável" Sofia de Medeiros |
É de aproveitar, portanto, o público em geral nestes últimos dias, presenciar, ao vivo e a cores, a obra e trabalho dos artistas da ilha de São Miguel e não só. Artistas esses que tiveram percursos e formas diferentes de entender a arte e que fizeram das artes visuais o seu modo de se conectar com a vida e evidenciar a sua visão do mundo.
A par desta mostra, há também um catálogo que reúne uma considerável variedade de obras presentes na exposição: Filipe Franco (“Femina 1#”); Isabel Silva Melo (“Ilha II”); Leonor Almeida Pereira(“Açor – Título Sem Paisagem”); Maria José Cavaco (“A fairer house than prose 65”); Nina Medeiros (“Bounding NatureI”); Paula Mota (“Ilha III”); RzOZE SELAVY (“Wine Esporas”); Sofia de Medeiros (“Lugar Improvável”); Urbano (“DAPHNE#5”); Victor Almeida (“Mulher I”); ligando, assim, gerações e cruzamentos que ora se afastam ou complementam, criando uma estreita ligação entre o passado e o presente - “os vestígios de cada personalidade”, segundo a curadora da exposição, Alexandra Baptista.
sábado, 25 de março de 2023
Da Escatologia
António Guerreiro, Ípsilon, 24 de Março de 2023.
Noivado
Não era. Era o Bernardo.
Isso não os impediu de terem muitos meninos e não serem felizes.
É o que faz a miopia.
Alucinação à Beira-Mar
Noite alta. Ante o telúrico recorte,
Na diuturna discórdia, a equórea coorte
Atordoadamente ribombava
Em meu destino!...O vento estava forte
E aquela Matemática da Morte
Com os seus números negros, me assombrava!
Mas a alga usufrutuária dos oceanos
E os malacopterígios subraquianos
Que um castigo da espécie emudeceu
No eterno horror das convulsões marítimas
Pareciam também corpos de vítimas
Condenadas à Morte, assim como eu!
sexta-feira, 24 de março de 2023
"Um Passo para Sul" de Judite Canha Fernandes
quinta-feira, 23 de março de 2023
"Um Pouco da Alma" de Rui Machado
quarta-feira, 22 de março de 2023
terça-feira, 21 de março de 2023
Poeta
ajuizado da descrição, este texto já vai longo
tentear perfeições geométricas, filosóficas, de estilo
a vida colocar-nos-á no devido lugar
bem intencionada asserção que resultou num alto
(e honestíssimo) deslize idiomático:
Miguel Manso, in Santo Súbito, Lisboa, 2010.
Primavera
na sua paralisia de pedra verde
a valsa verde do pirilampo
chamando-se entre si num clamor
cedendo aos caules que anseiam a luz
Vidinha
mas hoje estou conformado: de que serve
arrastar esta sede até ao próximo oásis
para depois me sentar sobre um poço de água salobra?
Paulo Ramalho in Manual de Sobrevivência para Náufragos, douda correria, 2020.
segunda-feira, 20 de março de 2023
A Poesia Vai Acabar
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
- Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar?
Os Sapatos das Duas Estações
usava sempre sapatos de duas cores
E glicínias como atacadores
Jorge Sousa Braga in "O Segredo da Púrpura", O Poeta Nu.
Do Comunismo
"O comunismo é dos maiores paradoxos da história da humanidade, com a sua intenção de igualitarismo, de colocar o ser humano no centro do desenvolvimento social, de o estado servir o cidadão através de uma utopia saudável. Mas isso gerou monstros, ditadores."
Mário Lúcio, entrevista a João Pacheco, Revista Electra, Inverno, 2022/2023.
domingo, 19 de março de 2023
João Correia Rebelo: Um Arquitecto Moderno nos Açores
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| João Correia Rebelo por Pedro Valim (Boletim Cultural Fazendo) |
Nuno Teotónio Pereira, in "Uma Vida Nómada, uma obra fragmentada, uma pessoa íntegra", in "João Correia Rebelo, Instituto Açoriano de Cultura, 2002.
"Morphine" de Sebastião Belfort Cerqueira
Nem tenho tempo a perder com essas merdas
Mesmo ao pé de casa
Encontrei estrangeiros bastantes
A quem ainda hoje digo coisas
Que não podiam perceber
Que o silêncio errado fez morrer
Já me habituei e já não tenho
Vergonha de dizer
Que não percebo
Esta coisa de parecer um estranho
De visita àquilo que viu crescer
Durante anos
Entendemo-nos tanto
Que agora não há nada a fazer
in "Música Normal", Companhia das Ilhas, Janeiro de 2021.
sábado, 18 de março de 2023
sexta-feira, 17 de março de 2023
Da Mediarquia
quarta-feira, 15 de março de 2023
Da Terra
"Se olhares bem, em Cabo Verde, não podes dizer a ninguém: "Vai para a tua terra. Porque ninguém é de lá. O mais velho, só está lá há cinco séculos. É uma experiência bonita."
Mário Lúcio, entrevista de João Pacheco, Revista Electra nº19, Inverno.
As Ilhas de Barco
Amaya Sumpsi: Sair do Faial ao anoitecer para chegar às Flores ao amanhecer. Não há dinheiro neste mundo que pague essa viagem, acreditem.
in Questionário Marado, FALTA#5, Fevereiro de 2023.
terça-feira, 14 de março de 2023
segunda-feira, 13 de março de 2023
Da Prosperidade...
Francisco Bradford Câmara
in “9 Bairros”, Setembro/Dezembro de 2022
domingo, 12 de março de 2023
sábado, 11 de março de 2023
"entre signo e mar" de J.H.Borges Martins
como o silêncio eterno
é do signo peixes e estrelas
dever ser nómada
ou descendente de deuses.
sexta-feira, 10 de março de 2023
quarta-feira, 8 de março de 2023
terça-feira, 7 de março de 2023
segunda-feira, 6 de março de 2023
Ai Weiwei por Ai Weiwei
domingo, 5 de março de 2023
sábado, 4 de março de 2023
"Natureza Morta" de Rui Machado
bonito jarro
o meu amor dormindo
à mesma sombra
visgos, zimbros, bardanas
um peixe
duas maçãs e um sofá
numa quietude entre duas
dimensões
Horta, 05.02.2022
Cineteatro Miramar: Há ir e Voltar!
O filme de Cláudia Varejão, talvez por causa do título, não despertou muito interesse aos locais, mesmo o facto de ser gratuito apenas mobilizou o público que está habituado a estas lides cinematográficas. No entanto, cá fora dava para observar que a vida continuava e seguia o seu rumo com a agitação do costume. O impacto, no final do filme, foi muito forte que, mesmo sendo um filme do Japão contemporâneo, essencialmente focado numa ilha remota com um grupo de mulheres de diferentes faixas etárias que mergulham em apneia à procura de moluscos (abalones), vivendo as suas vidas aparentemente de forma simples e harmoniosa, em contacto quotidiano com a natureza e com relações de grande cumplicidade, aquela sessão, naquele lugar, jamais seria olvidada, de tão bela que tinha sido.



















